Crônica de uma morte anunciada

Cantava aquele refrão adesivo “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”, enquanto tomava um café horrível de coador e fitava o celular. Um telefone que não toca, literalmente, porque além de nunca receber chamadas (a não ser quando havia algum maçante problema a ser resolvido), o aparelho agora estava quebrado e não produzia nenhum som. Uma coisa totalmente inútil, ela pensava. E lembrava das incontáveis vezes em que havia olhado hipnoticamente o celular, esperando que acusasse uma ligação ou uma mensagem de algum cara ridículo, dos vários caras ridículos que haviam passado pela sua vida ridícula.

Terminou o café já frio, abriu a janela e atirou o aparelho à rua. Diretamente do terceiro andar para o asfalto. Espatifado em mil pedaços e nenhuma lágrima.

Trabalhou o resto do dia assoviando mentalmente, um leve sorriso a estampar-lhe a rosto.

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2 Comments on “Crônica de uma morte anunciada”

  1. Gabriel Says:

    “Espatifado em mil pedaços e nenhuma lágrima.”

    muito bom… Se o chico ler isso aqui, vai adaptar para alguma música.

  2. bloda Says:

    já devo ter sido um ridículo culpado pela morte de algum telefone.

    (bom isso aqui, heim? por que nos seus comentários lá no meu o link não aparece? cheguei aqui pelo ressaca, aquele site produzido por caras ridículos)


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