Crônica de uma morte anunciada
Cantava aquele refrão adesivo “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”, enquanto tomava um café horrível de coador e fitava o celular. Um telefone que não toca, literalmente, porque além de nunca receber chamadas (a não ser quando havia algum maçante problema a ser resolvido), o aparelho agora estava quebrado e não produzia nenhum som. Uma coisa totalmente inútil, ela pensava. E lembrava das incontáveis vezes em que havia olhado hipnoticamente o celular, esperando que acusasse uma ligação ou uma mensagem de algum cara ridículo, dos vários caras ridículos que haviam passado pela sua vida ridícula.
Terminou o café já frio, abriu a janela e atirou o aparelho à rua. Diretamente do terceiro andar para o asfalto. Espatifado em mil pedaços e nenhuma lágrima.
Trabalhou o resto do dia assoviando mentalmente, um leve sorriso a estampar-lhe a rosto.
Outubro 23, 2007 at 10:53 am
“Espatifado em mil pedaços e nenhuma lágrima.”
muito bom… Se o chico ler isso aqui, vai adaptar para alguma música.
Outubro 23, 2007 at 2:19 pm
já devo ter sido um ridículo culpado pela morte de algum telefone.
(bom isso aqui, heim? por que nos seus comentários lá no meu o link não aparece? cheguei aqui pelo ressaca, aquele site produzido por caras ridículos)