Pavel
Viajar é um lance surpreendente. Especialmente quando se está sozinha, como eu fico na maioria das viagens que faço a trabalho. Sozinhos estamos mais vulneráveis e influenciáveis pelo ambiente que, nesse caso, é sempre novo, cheio de gente desconhecida e situações inusitadas. As coisas simplesmente acontecem, e a gente tem que torcer para, na contagem final, entre mortos e feridos salvarem-se todos.
Entre o fim de agosto e a primeira semana de setembro estive na Bolívia e no México, representando minha empresa nuns eventos. All by myself. Tive vários e sérios problemas com meus vôos da Lan Chile, que incluíram um cancelamento, uma perda de conexão e 2 atrasos bizarros. No blog anterior, há um post mais indignado sobre isso. Em 12 dias paguei meus pecados tendo que enfrentar 10 vôos: 7 internacionais e 3 nacionais (mas não no Brasil). Para visitar dois países, pousei em Lima, La Paz, Iquique e Santiago no Chile, Lima de novo, Cidade do México, Monterrey, Cidade do México outra vez, Lima AGAIN e então São Paulo. Enfim, uma saga aeroportuária pela América Latina. Ao menos minha bagagem não foi extraviada ou furtada – meus maiores medos em viagens de avião.
Quando estava em La Paz, meu vôo para Lima, onde teria uma conexão para o México, foi cancelado. Aliás, minto: o vôo na verdade estava cheio e por U$ 170,00 depositados no cartão de crédito topei ceder meu assento (ui!) e passar mais uma noite a 4.600 metros de altitude, no ar rarefeito, frio e seco da capital boliviana. Não só eu aceitei a troca, mas um outro rapaz, magrelo e descabelado, com jeito de mochileiro, também trocou o vôo e ganhou uma graninha. A Lan nos mandou a um ótimo hotel, onde passamos o restante do dia e a noite. No táxi trocamos algumas cordialidades, como nomes (Pavel), de onde estamos vindo (Inglaterra), onde nascemos (República Tcheca) e para onde vamos (Equador). Perguntas bastante filosóficas, como se pode notar.
No dia seguinte, fomos juntos num vôo para o Chile, onde ele ficaria mais uma noite por conta da Lan e eu pegaria uma conexão para Lima. Ficamos amigos, óbvio. Era como uma combinação natural, ele e eu, the english guy and the brazilian girl. O sotaque britânico das Uni’s e o típico acento latino-fake, ahahahahaha. Enfrentar vários vôos (tivemos ainda uma conexão louca na misteriosa cidade de Iquique, onde esperamos por horas por um vôo para Santiago), passar fome (a Lan se esqueceu de servir refeição e nesse dia não almoçamos) e manter o bom humor é pra guerreiros. Meu enorme sorriso na foto feita por ele, que estampa o início da página About Rachel é a maior prova de que eu realmente estava feliz. Quando nos despedimos em Santigo, fiquei triste de verdade e voltei a me sentir sozinha. Mas foi por pouco tempo. Essa foi apenas a primeira parte de uma viagem de 12 dias que parece ter durado uns 2 meses. Apenas para dar um exemplo, por um atraso nesse vôo, perdi minha conexão em Lima para o México e tive que passar uma noite no Peru (ui!).
Em todas as viagens posteriores, para onde quer que fosse, me perguntava quem seria o Pavel da vez que me resgataria da chatice. Houve outros, mas nenhum como o primeiro.
Agora, trocamos e-mails freqüentes. Estamos combinando outra viagem, dessa vez na Europa, em 2008. Acredito que tem tudo para dar certo.
Novembro 27, 2007 at 8:18 pm
(eu sempre esqueço o e-mail quando vou comentar e tenho que escrever novamente… ¬¬)
Apesar dos pesares, não há nada melhor do que viajar!
(mesmo que só se percebe depois do retorno, mas enfim… hahahhahaa)
Mudando de assunto, pode indicar o meu filho, ou o post dele aqui sim!
Eu ”linkei” seu blog lá (acho que você já deve até ter visto)
Fiz isso ontem e deixei para avisar hoje.
Bom restinho de viagem …( e quem sabe um novo Pavel? hahahaha)
… se é que você ainda não voltou.
Beijãããão!
Novembro 28, 2007 at 2:49 am
Uma companhia aérea que se esqueceu de servir a refeição de vôo? Vixe. Eu definitivamente morro, reencarno várias vezes e ainda assim não vejo tudo. =)
Novembro 28, 2007 at 7:36 am
bacana mesmo são essas viagens through south america by bus. Dai sim é de se conhecer gente interessante.
Tipo um índio, um montanhista austriaco, um veterano da guerra das malvinas e um carioca que todos os meses vai visitar a namorada em Córdoba – 38 horas de viagem.
Resposta da Rach: Puts, todos os meses viajar a Córdoba de ÔNIBUS? Realmente, a paixão é uma doença. You’ve gotta be SICK to do something like that o.O
Enfim, tenho mta vontade de fazer algumas viagens de ônibus. Fiz alguns trechos no Rio Grande do Sul e entre França e Espanha assim e foi mto bom. É beeeeem diferente de fazê-lo de avião: vai-se observando a paisagem, todas as mudanças de clima e vegetação de um lugar a outro, e as paradas para conhecer nativos são sempre divertidas!
Tenho uma viagem planejada para 2008 ou 2009, que inclui Peru, Bolivia e Chile, com ao menos 3 trechos rodoviários bastante longos. Outro dia conto com detalhes e vc me diz se compensa.
Novembro 28, 2007 at 9:04 am
deal !
Novembro 28, 2007 at 9:34 am
O que seria de nossas viagens – e de nossas vidas, why not? – sem os Pavels que cruzam nosso caminho?
Espero q surjam outros para salvá-las do tédio no trecho q falta!
PS: gostei tanto do seu blog q o linkei no meu.
Novembro 28, 2007 at 10:21 am
Conforme vc pediu, Rachel, informo q o endereço do site do Aran é http://www.sitedoaran.com.br
(Você acreditaria se eu dissesse q não tinha conseguido adicionar aos meus links ontem, preparei a postagem hj falando do site como se tivesse conseguido e se não fosse vc eu nem teria lembrado disso?)
Novembro 28, 2007 at 5:00 pm
rachel,
que loucura isso. e eu achando que o f#$@ era ficar esperando 5hrs no avião da TAM para ver se decola ou não, para desistir e voltar outro dia.
Novembro 28, 2007 at 8:32 pm
Rachel,
Achei seu blog por acaso e caí de avião no seu post. (Uí!), como disse você para essa história toda. Que loucura!!! Mas sabe que no final das contas, é nessas horas que você se diverte mais? Momentos de raiva sim, mas depois, só alegria por ter achado um cara que vem a ser seu amigo e um dia relembrar juntos daquela troca de passagem. Cool!