Je ne parle pas Français
Publicado em 2007 no falecido Fifty-Fifty. Eu sei, eu sei, mais uma reedição. Me desculpem, mas o bicho tá pegando aqui no trampo. Juropordeos que volto com novos textos assim que essa maré passar.
Estou estudando francês. Comecei há coisa de 2 meses e na primeira aula não conseguia parar de rir. A professora só falou em francês e, além de eu não entender nada, ainda achei graça de ouvir alguém falando daquela maneira todo o tempo. Fazendo biquinhos. Transformando tudo em oxítona. Era como estar em um filme do Telecine Cult.
A graça deu lugar ao desespero nas semanas seguintes. Tinha me esquecido o quão difícil é iniciar o estudo de algum idioma quando não se sabe absolutamente nada dele. O espanhol nos parece intuitivo, dada a semelhança com o português. Quanto ao inglês, já não sei dizer. Minhas primeiras palavras foram arranhadas aos 6 anos e, desde então, nunca mais foi abandonado. Aprendi por insistência e persistência. E agora, aventuro-me pelo francês. Bizarramente, diga-se de passagem. Falta-me vocabulário, as frases são infantis; a pronúncia, esdrúxula. Tento, repito, percebo as diferenças na entonação, mas não consigo reproduzi-las. Os outros três idiomas contaminam minhas parcas noções iniciais, e acabo tranformando tudo num porco “espangliçais”. Esforço-me para aprender as conjugações de cada verbo em cada pessoa – e ainda estamos no present du indicatif! Percebo que o caminho será longo e árduo e desanimo.
A professora insiste. Ela tem mais fé que nós, os alunos. Marion é a típica francesa: magra e pequena, a famosa constituição mignon, montes de cabelos escuros cacheados, pele muito branca e olhos muito azuis. Encantou-se por Florianópolis. Fala “eu escribo muito maaall” querendo dizer que tem a letra feia. Imagino constantemente como parece o Brasil para quem sempre morou na Europa.
Escolhi minhas palavras prediletas, até o momento. Aujourd’hui é fantástica. A expressãozinha J’ecouté, sublime. Mas memória fica desequilibrada, esqueço agora o que ouvi há alguns minutos. Confundo “amarelo” e “jovem”. Descubro que há 3 maneiras gramaticalmente semelhantes de se fazer as mesmas perguntas. Atrapalho-me com os hífens, os apóstrofos, os acentos todos. “Qu’est-ce que c’est?” – tive que procurar (novamente) no livro para escrever aqui, um simples “o que e isso?”
Patience et persévérance.
Tags: espanhol, francês, inglês
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Fevereiro 28, 2008 at 9:16 pm
Fala a verdade, vc publicou isso porque a Marion Cotillard ganhou o Oscar como Edith Piaf, mais francês que esse momento, só baguete do carrefour.
Fevereiro 29, 2008 at 4:32 am
Olha, estou apaixonada pelo blog. Já consta dos favoritos.
Me diz onde você arruma esse melado, rs.
Brincadeira.
Parabéns, abraços.
Fevereiro 29, 2008 at 7:27 pm
Minha frase favorirta em francês ainda é “Voulez vou couchez avec moi?”
Resposta da Rach: ahahahahaha… realmente, tenho que concordar que é interessante ;)