Limpeza de pele from hell

Ontem à noite fui à esteticista. Tinha ganho uma limpeza de pele e fui receber meu grande prêmio. Se há duas coisas pelas quais agradeço diariamente à genética que meus pais me proporcionaram são o tipo de cabelo que tenho e minha pele. Nem nos mais explosivos períodos da adolescência fui atormentada pela acne. Lógico que há exceções: depois de uma inenarrável revolta hormonal promovida pelo meu antigo remédio contraceptivo, minha pele meio que quis mostrar quem é que manda. E mesmo lavando, tonificando, hidratando e ameaçando de morte, ela não melhorou até que finalmente meus hormônios voltaram ao normal. Na marra, claro, porque comecei a tomar outro anticoncepcional. Que, caso os garotos não saibam, é uma tremenda mão na roda para controlar oleosidade excessiva, seja na pele, seja no cabelo.

Assim explicado, eu nunca precisei recorrer a sessões variadas de limpeza profissional da pele para mantê-la em ordem. Logicamente que teria ajudado, mas é o tipo de tratamento too much expensive e sempre foi classificado de ‘luxo’ pela minha conta bancária. Mas eu tinha GANHO essa, entende? Não tava gastando um puto.

A verdade é que experiências anteriores tinham me deixado um pouco… escaldada. Eu já tinha idéia do que me esperava e era justamente esse conhecimento prévio que não me animava. Porém, fui.

E as surpresas chegaram rápido. Mal tinha me acomodado em posição horizontal na cadeira tipo de dentista quando de repente a dita começou a fazer uns barulhos de motor de Variant 76 e a chacoalhar inteira, tipo máquina de lavar pré-histórica. A sensação era de galopar um cavalo de corrida em pleno turfe. A esteticista deve ter visto minha cara petrificada de susto e só então explicou que era uma cadeira massageadora, para relaxar. Ah, tá, tô super relaxada agora. Pode pegar meu coração que eu cuspi ali na porta, por favor? ¬¬

Como um item extra para auxiliar no relaxamento completo da cliente, ela ligou um radinho bem perto da minha orelha, numa dessas estações de música anos 80 para elevador, a la Lionel Richie e compadres. Ela poderia ter sintonizado o Rage Against the Machine que não faria a menor diferença, já que a cadeira com propulsor de foguete fazia mais barulho que uma escola de samba inteira. Mas a porra da cadeira causava interferência na freqüência do rádio – não me pergunte como, eu sempre fui péssima em Física – e este agraciava meus ouvidos com um chiadinho estúpido de estação mal sintonizada. Tudo para que eu ficasse o mais relaxada possível, certo? ¬¬

Aí começou a parte estética propriamente dita. Primeiro ela dá uma limpada geral no rosto e pescoço com um produto à base de ácido sulfúrico ou clorídrico, ou algo capaz de remover até cola superbonder se tivesse alguma ali. Mentira, não é ácido nenhum, porém eu tenho CERTEZA que nem nas aulas de Bioquímica da faculdade a gente usava solução tão devastadora. Imagina o que isso não faz com ácaros e bactérias, hein. Se não fosse a ardência generalizada que esse passo provoca, eu sorriria de satisfação só de pensar nos ácaros se contorcendo como a bruxa no fim do Mágico de Oz. Lindo, lindo. Mas geralmente arde muito e eu só consigo me concentrar nisso.

Depois do ácido de limpeza, começa a sessão creminhos. Eu até gosto bastante desse momento, ela passa várias loções diferentes com cheiros ótimos. Rola um tonificante fantástico, que prepara a pele para o que vem a seguir e então um hidratante poderoso que repõe tudo aquilo que a limpeza arrancou à força de ácido. Depois vem a esfoliação. Guarde essa palavra do mal: esfoliação. A esteticista passa um creme que parece ter grãos de areia na composição e esfrega bem para tirar TUDO. Oi? Lembra do ácido? A esfoliação garante que não sobre pedra sobre pedra, amigão.

Aí vieram mais uns creminhos de recuperação, mais massagem, mais música do Lionel tiozão e eu tava curtindo tudo, até a hora do vapor. Berenice, segura. Para que realmente todas aquelas cracas acumuladas durante anos de oleosidade e adolescência saiam da sua pele, alguém muito sádico inventou de botar um vaporizador na cara do cliente e largar lá, por uns 10 longos minutos, até quase sufocar a pessoa. E foi o que me aconteceu. A esteticista ligou a máquina no turbo e, para piorar, posicionou a bendita bem em cima da minha fuça. E saiu da sala, foi bater papo ou ligar para o 911. E eu lá, com a potência de uma sauna úmida concentrada na cara. Não sabia mais se respirava pela boca, pelo nariz ou se caçava papel e caneta para escrever meu testamento logo de uma vez. Meus pulmões juravam que em nenhum mililitro do ar de toda aquela sala tinha uma mísera molécula de oxigênio. Quando eu estava prestes a bater as botas, ela voltou e desligou a máquina. Certeza que tava escondendo um sorrisinho sádico quando me viu roxa e semi-sufocada.

Antes que o cliente se recupere, ela começa a vistoriar a pele toda em busca de poros entupidos. E espreme um por um. Juropordeos. Se a gente tem zilhões de poros no rosto, todos eles são dolorosamente apertados e futucados, até que todo o conteúdo seja expelido. Isso deixa marcas liiindas, parece que você teve sarampo ou alergia ou que acabou de voltar da limpeza de pele. Para amenizar os trocentos sinais vermelhos que você acabou de ganhar – gratuitamente! – mais uns tônicos são passados.

Por fim, quando a minha paciência estava praticamente esgotada, um creme mais denso foi espalhado com pincel. Me senti um daqueles perus de natal que são melecados com manteiga ou seila o que e que depois vão para o forno ficarem douradinhos. Eu tava até imaginando o horror que seria agora uma sauna seca na cara, fazendo as vezes de forno, porém a esteticista saiu da sala de novo. ‘Ah,’ pensei eu, espertíssima, ‘deve ser uma máscara’. Dito e feito: era mesmo uma máscara. Daquelas que praticamente plastificam a cara do cidadão e até para piscar os olhos eu sentia repuxar a nuca. Sabe quando você não pode coçar alguma parte do corpo e na mesma hora sente várias coceiras justo onde não pode? Pois é, meu rosto começou a pinicar quase instantaneamente. E eu tinha um vinil colado na pele, podia meter as unhas ali que jamais teria sensação de alívio. ¬¬

Quando finalmente aquela sacolinha de supermercado saiu do meu rosto e as últimas e misericordiosas loções foram passadas, ouvi as palavras mágicas: ‘prontinho. Acabou!’. Acabou? ACABOU! Sobrevivi, malandro! Depois de quase morrer sufocada e ter o couro do rosto arrancado para alguma bolsa excêntrica, fui checar o resultado no espelho e confesso que ficou muito bom. A pele está super macia e, com exceção de alguns sinais vermelhos aqui e acolá, está perfeita. Nem sei como tal proeza é alcançada depois de tantos tratamentos que deveriam exterminara a epiderme.

Todo esse calvário para o rosto ficar um pouquinho melhor, por alguns poucos dias. ¬¬ Mas era uma promoção dupla: você faz uma limpeza de pele e ganha a segunda, de manutenção. Entendeu? Tudo isso de novo, daqui a uma semana.

Alguém ae topa?

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8 Comments on “Limpeza de pele from hell”

  1. Miyu Says:

    Caracoles, tem que ser muito macho pra pagar por essa sessão de tortura! Acho que nem de graça eu encarava uma aventura dessa, haha! Parabéns!

  2. srta. rosa Says:

    Eu vou pouco também, tive a mesma sorte que você no quesito ‘pele’, porém, porém… não há nada mais from hell do que depilação à cera. N-a-d-a.

    Bezzos, querida!


  3. -= Acho que você esqueceu a tab texto


  4. -= Ops… engoliu meu chiste.

  5. Cinthia Says:

    sorte sua que teve a divindade a favor da sua pele,eu tive todas as espinhas e cravos que tinha direito na adolescencia, e hj com 24anos elas nao desaparceram por completo. Resultado: uma seção de massacre por mês….. pior é ter que pagar…. e muito caro, diga-se de passagem. Fora rios de dinheiro com ácidos e ácidos…. gente, a minha pele é a minha maior despesa. Socorrrrrrrrrrooooooo!!!

  6. Erika Says:

    Ohh benhê, a gente sofre, a gente grita, mas a gente faz, né?? Depilação, limpeza de pele, escova nipo-anglo-holandesa plus restauradora sem formol e muitíssimas outras coisas…
    “De grátis”??? Eu já tava lá na porta…..
    hehehehe

  7. sweethell Says:

    eu topava a tortura toda só pra não ter q lidar com esses benditos cravos todos os dias ao me olhar no espelho. mas infelizmente, limpeza de pele ainda é luxo pra mim. fazer o que?

  8. Fernando Says:

    ah Arlete, jamais me esquecerei de você…

    Nem o esfoliante, nem o vaporizador-sauna, nem o maldito ácido me farão esquecer aqueles 10 minutos finais que você ficava massageando meu rosto com a máquina de “choquinho”.

    Sério Rachel, a Arlete era fodaça. Além de gente finíssima – ficavamos dando risada o tempo todo – a mulher fazia uma massagem no rosto que era o segundo melhor treco da minha vida. Superava todos os revéses da limpeza de pele.

    Nunca fui muito “espinhento” também. Mas fui uma vez pra tirar uns cravos,l acabei gamando na massagem, e virei cliente preferencial por uns 2 meses.

    Até o dia que minha “mami” virou e falou: Se quiser continuar com a Arlete, vai ajudar a pagar. Acho que em grana de hoje dava uns 300/400 pilas por mês só em limpe… ops, massagem no rosto.

    Era demais pra um moleque de 17, 18 anos…

    Sei lá, acho que ô lembrando demais da Arlete. Vai ver eu era apaixonado por ela e nem sabia hahah


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