No olho da rua: minha vida como desempregada, parte 2
Perdeu a primeira parte? Aqui está.
Contei aqui há algum tempo que 17 de março foi oficializado como o dia da minha libertação: pedi demissão antes que num acesso de fúria partisse meu chefe ao meio usando uma marreta. Uma marreta ou um machado, ainda não tinha me decidido por qual ferramenta. E comecei uma série para contar (sinopse da Sessão da Tarde mode on) as aventuras e trapalhadas em que essa garota da pesada vai se meter enquanto tenta conseguir o emprego dos sonhos (narração da Sessão da Tarde mode off).
Assim que terminei a faculdade tinha desistido de qualquer idéia de fazer pós-graduação em Ciências Biológicas, área em que me formei. Era final de 2005 e me matirizava o pensamento de continuar trabalhando em laboratórios e vivendo às custas da boa vontade da FAPESP, que financia a maior parte das bolsas de estudos para a USP. Estava de saco cheio do ambiente acadêmico, das brigas de ego dos professores e daquele pessoal que vivia numa bolha, não num campus. Me despedi dos amigos, entreguei o apartamento e voltei para a cidade dos meus pais sem nenhuma perspectiva de trabalho, mas aliviada: ao menos da biologia estava livre.
Em março do ano seguinte, minha irmã fazia faculdade e se preparava para morar sozinha pela primeira vez na vida, em São Carlos. Por sugestão da minha mãe, fui junto e alugamos um apartamento para nós duas. A idéia era ficar por volta de 6 meses a um ano, ajudar minha irmã na adaptação e então ir para São Paulo estudar jornalismo, minha vocação de criança.
Cheguei a São Carlos num domingo e na segunda-feira mesmo comecei a distribuir meu pobre currículo: dele constava a graduação em Ciências Biológicas, a iniciação científica num laboratório de genética, os cursos de inglês e espanhol e alguns trabalhos voluntários dando aula. Recheadíssimo, como vocês podem notar. Mas é quando a água bate na bunda que nego aprende a nadar: em cinco dias tinha distribuído 60, deixando cópias em escolas de idiomas, de educação infantil, cursinhos e o escambau. Se realmente fosse um filme da Sessão da Tarde, certeza que haveria uma cena mostrando a garota jogando milhares de currículos de cima de um prédio, espalhando aquele monte de papel ao vento. E uma música do Mark Ronson no fundo – imaginei algo como Valerie, o que vocês acham?
Num desses lances de sorte e coincidência, três dias depois de chegar à cidade soube de uma vaga numa empresa de equipamentos de tecnologia. Eles precisavam de alguém que falasse inglês e espanhol e tivesse disponibilidade para viajar para o exterior. Oi? Minha disponibilidade é full time porque estou desempregada? Entrei em contato com o RH, dei uma arrumada no currículo (inclui que tinha passaporte válido e curso de digitação ahahahah) e mandei. Três entrevistas e 10 dias depois de chegar à cidade fui contratada.
Mas não tinha a menor idéia dos problemas em que estava me metendo.
ps: queria agradecer a todo mundo que me desejou boa sorte na caça aos empregos. Valeu, galera. A luta continua! ;)
Abril 13, 2008 at 3:50 pm
Adoro São Carlos pq é a terra do Castelo, restaurante de beira de estrada que marcou minha infância…
SINOPSE INACABADA
IDÉIA NOVA
Abril 13, 2008 at 7:15 pm
Marreta é sempre uma ótima opção ( até por que vc vai ter que bater muito nele com uma para realmente parti-lo ao meio)
O machado a morte seria muito rápida….
Abril 13, 2008 at 11:03 pm
“é quando a água bate na bunda que nego aprende a nadar”
meu ditado predileto. sendo recitado com toda a pompa e glamour, inclusive com o “o nego” junto.
aliás, chamo todo mundo de “nego”. =)
Abril 14, 2008 at 8:30 am
Isso é um caso clássico de:
Senhor Jesus me dê paciência para aturar o meu chefe, porque se me dá força, parto-o todo.
Resposta da Rach: exatamente isso.
Abril 14, 2008 at 10:52 am
Fora de contexto, mas segue:
pq a foto de uma escada para um porão?
:/
Resposta da Rach: Vou fazer um post falando sobre isso. Wait and see.
Abril 14, 2008 at 11:38 am
Porque se ela gostasse de uma coisa certa a foto seria colorida, a escada seria para cima e terminaria em um púlpito. :-)
Mas quem sabe é a dona do blog.
Abril 14, 2008 at 12:45 pm
pelo mesmo motivo, ao me formar em história, eu decidi fazer turismo.
hoje estou aqui, “fazendo turismo” nos eua rs mas volto pro brasil.
ps: sou sua fã.
ps 2: adorei a música.
Resposta da Rach: Gente! Que emoção!! Eu tenho uma fã!!
Obrigada, Raquel, salvou meu dia ;)
Abril 14, 2008 at 2:34 pm
o loco Rachel!
Só pela quantidade de vezes que eu passo e posto por aqui, você já deveria me contar como um fã também.
Mas enfim, sou o fã #2, vai… =)
Resposta da Rach: caaalma, gente! Sem ciúmes! Tem pra todo mundo ;)
(o que não faz de mim uma ‘mulher rodízio’, q fique claro)
Abril 14, 2008 at 2:49 pm
Graças a Deus ainda não tive que passar por essa saga de enviar currículos e etc. Só sei de uma coisa: não faço idéia por onde deveria começar.
Bjitos!
Resposta da Rach: se precisar entrar na seara de envio de currículos, posso te dar muuuitas dicas. Porque fiz isso feito uma louca, ultimamente :/
Abril 14, 2008 at 2:58 pm
kkk não é ciúme pô!
é só reconhecimento à minha admiração incondicional por este blog e consequentemente pela dona dele… lol
Abril 14, 2008 at 5:03 pm
Gostei do jeito que você escreve :) ótimo texto, vou acompanhar a série!
Resposta da Rach: WELCOME!! ;)
Abril 25, 2008 at 7:21 am
[...] No olho da rua: minha vida como desempregada, parte 3 Continuando minha saga sobre empregos e afins, esta é a parte 3. A primeira parte está aqui e a segunda está ali. [...]