#meuprimeirobeijo
Meu primeiro beijo aconteceu perto do dia das crianças, não sei exatamente se no dia anterior ou no seguinte. Eu tinha 12 anos e estava passando o feriado na cidade da minha avó. Tinha ido ao clube com meus primos e estávamos tirando os times para jogar futebol. Era só eu de garota mas eles não costumavam se importar. Não que eu fosse boa; sempre fui um fiasco no futebol e na faculdade só quando jogava como goleira era minimamente passável. Mas sabe, né? Menina de fora, magrinha, cabelo claro… eu tinha todos os argumentos para convencer até os menos cristãos à idéia de me deixarem entrar em campo.
Não lembro de muitos lances dos jogos em si, mas lembro que um amigo do meu primo Henrique ficou na equipe adversária e que eu tinha achado ele interessante. Tínhamos a mesma altura e a mesma idade, mas ele era bem mais magro. Aos doze anos os moleques são magros esqueléticos ou gordinhos com banhas de pneu, não há meio termo. Já as meninas são todas feiosas e desengonçadas, é um padrão que aparece aos nove anos e permanece até os 14. Pode reparar, não há garota que se salve nessa faixa etária.
Lembro que marquei um gol. Todo mundo deve ter marcado uns quatro ou cinco, e eu consegui a proeza de marcar um único gol. Fiquei feliz com o saldo, comemorei subindo no alambrado, toda pinta de jogador profissional quando quer fazer média com a torcida. No fim de um dos jogos deixei todo mundo sair correndo para o bebedouro e fui ficando para trás. O Henrique me acompanhou e aproveitei a brecha para perguntar a ele sobre o amigo magrelão – vamos chamá-lo de André. Acho que disse que tinha gostado dele, ou algo parecido. Atentem para o detalhe: eu nem sabia o nome do pequeno cidadão. Eu nunca tinha ouvido a voz dele. Mas já tava gostando, dá para crer?
Depois, muitos anos mais tarde, descobri que os dois eram os melhores amigos do mundo, aliás, são amigos até hoje. Isso explica como, naquele mesmo dia, o André soube que a prima do Henrique tava afim dele. Nem preciso dizer que morri de vergonha, né? Mais vergonha ainda tive quando o cara deu um jeito de ficarmos sozinhos para perguntar se eu queria ficar com ele.
Gente, um pânico incontrolável me dominou naquele instante. Deve ter sido um dos momentos mais aflitivos da minha vida. Eu queria, mas parecia errado. Tipo um daqueles erros terríveis que a gente sabe que vai se arrepender dele para o resto da vida. Fiquei com a mão gelada, o coração batendo pesado, vontade de vomitar, tudo. Era como morrer devagarinho. E tudo isso só para responder a pergunta! Um universo de coisas e gentes (o que a minha mãe ia pensar se descobrisse?) passavam pela minha cabeça naqueles poucos segundos entre a pergunta e a minha resposta. Que foi, como vocês imaginam, ’sim’.
Fomos para os fundos do ginásio, onde guardavam umas cadeiras velhas e todo o tipo de quinquilharias cobertas de pó. Tenho certeza que estava com cara de boi quando vai para o matadouro. Ou com cara de choro. Não lembro se rolou alguma conversa, só do moleque me abraçando e dos nossos dentes batendo desencontradamente. Na confusão do momento, não sabia se fechava os olhos ou abria a boca e onde pôr as mãos. Mas foi tudo rápido, bem rápido: o tempo suficiente para perceber que não gostava NADA daquilo de beijar na boca e fugir correndo do lugar.
Talvez só eu não tenha gostado da experiência, porque o André fez o possível e o impossível para pegar meu telefone e endereço com o Henrique e mandou várias cartinhas apaixonadas, que iam diretamente para o lixo – logo depois de lidas e relidas com as amigas, claro. Fiquei meio que traumatizada por oito meses, com aquele arrependimento de ter gasto o primeiro beijo com um menino de quem nem gostava, mas também aliviada de ter terminado com aquilo. Durante a adolescência era quase um crime nunca ter beijado na boca e os pobres BVs (vocês sabem o que significa) eram humilhados e discriminados por todo mundo. Com aquele momento de ousadia no dia das crianças, eu estava entrando na adolescência sem essa pendência, pelo menos.
Acho que essas primeiras vezes nunca são muito boas para ninguém. É difícil conter a explosiva mistura de ansiedade, vontade e vergonha, e ainda lidar bem com a pressão que amigos fazem. E acredito que foi bom não ter tido meu primeiro beijo com um cara de quem gostava. Eu teria ficado irremediavelmente apaixonada, como aconteceu com o segundo cara. E teria invariavelmente tomado um pé na bunda, como aconteceu com o segundo cara. Mas isso é história para outro post.
Tags: primeiro beijo
You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.
Abril 30, 2008 at 4:40 pm
que história heim rs…
porque a primeira vez é tão dificil pras mulheres heim rs…
Abril 30, 2008 at 4:42 pm
Ra,
Certas coisas que nos acontecem só valem a pena depois, nas boas lembranças.
Mom
Abril 30, 2008 at 4:52 pm
Na minha opinião o primeiro beijo é um preview da primeira vez, impossível de serem bons porém coisas totalmente inevitáveis. Histórias que ficam pra vida inteira. Nossa, fiquei até nostálgico com esse comentário…rsrsrs
Beijos, dona moça maneira! xD
Abril 30, 2008 at 5:28 pm
Imagina que merda se vc soubesse exatamente o que fazer?!
Hoje aposto como vc se vira muito bem em situações como essas! kkkk Quem não aprende?
Abril 30, 2008 at 5:51 pm
-= Coitado do rapaz, fiquei com pena.
O meu primeiro, como eu contei no Twiter, vale quase um post também.
Abril 30, 2008 at 6:36 pm
adorei! Acho tão gostoso depois de tempos lembrarmos essas coisinhas que acontecem em nossas vidas, e ainda depois de ter passado ainda fica vermelha em lembrar que fez certas coisas, disse certas coisas.
e o primeiro beijo foi e sera sempre muito dificil para qualquer geração
Abril 30, 2008 at 6:47 pm
Adorei!! bacana o seu post, quando olhei no twitter o assunto, me fez lembrar do meu primeiro também, que assim como o seu não foi uma das maravilhas do mundo, mas é a mística do primeiro, aquele que nunca se esquece, vou tentar fazer um post também já que o seu me inspirou bastante, daí te mando o link via twitter, ok ? . Beijo
Abril 30, 2008 at 7:37 pm
Lembrar é MUITO MELHOR que fazer.
Meu primeiro beijo foi uma lástima… e eu tava com a camisa do são paulo…e era muleque demais para achar aqui legal….
Mas na minha mente fica mais bacana:-)
Abril 30, 2008 at 11:02 pm
que inveja que tenho das “meninas de hoje” que beijam 15 numa festa…e curtem…nem adianta falar que não curtem não…sem culpa, sem compromisso, sem esperar o maldito telefonema do dia seguinte.
ah que inveja.
mariah
Maio 1, 2008 at 1:41 pm
Eu tomei um susto tão grande, deu até medo. Era BV a mina não. Depois ainda tive que ouvir um “Você beija bem prum BV!” Bem assim, toda entusiasmada.
Maio 1, 2008 at 3:37 pm
Meu primeiro beijo teve gosto de salgadinho. :)
Maio 2, 2008 at 12:32 am
ah, meu primeiro beijo foi ótimo! inesquecível, com sinho tocando e mão gelada…
já a primeira transa… nem é bom aprofundar.
SINOPSE INACABADA
IDÉIA NOVA
Maio 2, 2008 at 11:29 am
Essa história me lembrou o filme American Pie, é uma comédia pastelão. Mas tem ótimos momentos, como a hora em que eles começam a ficar de saco cheio e se revoltam com a encheção de saco sobre a obrigação adolescente de perder a virgindade.
Depois a vida passa a seguir seu curso de forma mais natural.
Maio 2, 2008 at 1:50 pm
Hahaha…o meu primeiro beijo tbm foi num lugar cheio de poeira, e tal igual ao seu, foi totalmente desengonçado.
=]
Maio 2, 2008 at 2:55 pm
ah… o meu primeiro (e dela também) não foi ruim… mas a história dele é deveras estranha! rs… a gente já namorava pela net fazia 3 meses – eu em SP, ela em Ctba. Até que certo dia minha mãe bancou e eu fui pra lá conhecê-la. A gente tinha uma mania quase obsessiva de trocar cartas (mesmo falando no telefone todo dia, de orelhão)… E quando cheguei lá, ela me deu uma carta que disse ter escrito durante o dia (enquanto eu viajava) pra eu ler quando chegasse. Sentei no chão do quarto dela, costas encostadas na cama, ela sentada na cama atrás de mim, com as pernas envolta sabe? Ai, do nada, enquanto leio a carta, ela me cutuca no ombro… quando viro pra ver o que era, ela me dá um beijo. Ela costumava dizer (pelo menos até uns 2 anos atrás quando perdemos contato) que sempre chorava de rir quando lembra da minha cara de perdido na hora =p
Mas também, não tinha como eu não ficar com cara de perdido. Eu me achava O trocinho mais feio do mundo, era zuado por Deus e o mundo na escola, inclusive pelas meninas. Já achava demais estar namorando, mesmo que só pela internet (era um detalhe que ninguém da escola precisava saber, afinal)… quando me veio aquele beijo então, eu me senti o cara mais sortudo do mundo rs…
Durou mais 1 ano depois desse acontecimento, e foi uma das melhores épocas da minha vida até hoje (especialmente pq eu viajava todo mês pra visitá-la, e eu “odeio” viajar né? rs…)
beijos moça que nunca fala comigo =p
Maio 2, 2008 at 4:08 pm
o meu primeiro beijo também foi numa dessas viagens que a gente faz nas férias… vc me deu uma idéia pro blog…
eu gosto tanto de lembrar dessa época, meus pais piravam o cabeção comigo, sabe aquelas meninas danadinhas? UAHUAHAUHAUAH então!
um beijo!
Maio 3, 2008 at 10:08 pm
o meu primeiro beijo foi nos fundos do recém inaugurado fórum de Piçarras… quase apanhei do primo dela:=(
Maio 19, 2008 at 4:26 am
[...] #meuprimeirobeijo A Lógica do Primário É aquele lá, pai? Explore posts in the same categories: criancices, um luxo, viagens [...]
Setembro 16, 2008 at 4:20 am
[...] dias de criança na praia #meuprimeirobeijo A Lógica do Primário Explore posts in the same categories: criancices, [...]