Celular movido a álcool

E daí que no seu bota-fora você entra naquele conhecido nível etílico que dá margem a telefonemas perigosos. Aquele momento da noite entre a terceira e quarta capirosca de morango com kiwi em que você decide que não quer ir embora da cidade sem se despedir de ao menos metade dos nomes masculinos que constam da agenda do seu celular. Mesmo daqueles que moram em outro estado. Mesmo daqueles que nem se lembram do seu nome. Mesmo dos que são comprometidos  Mesmo daquele que você jurou e prometeu a si mesma e mais a umas 12 amigas que nunca mais ligaria. Pois é. Você liga até para esse infeliz. E todas as garotas na mesa, de repente, não vêem nenhum problema em você torrar milhares de créditos só para informar metade da cidade – ‘ex-cidade!’ você diz, uma oitava acima do que manda o bom senso e o horário – que você está de partida para nunca mais voltar (essa parte é mentira, mas é pra ficar dramático). Lógico, elas estão muito além da sua inocente quarta capirosca e TAMBÉM estão queimando os dedos nas teclinhas do telefone.

Celular na mão de bêbados e alterados é arma, já dizia a clichê comunidade do orkut. Foi uma das garotas da mesa catar o bendito aparelho e disparar mensagens a deos sabe quem que todas as outras imitaram o perigoso gesto. E a obsessão atinge níveis graves: para garantir que não ficariam sem resposta, todas as presentes enviaram mensagens a vários destinatários distintos e torpedos dos mais variados teores. Minutos depois montes de apitos e musiquinhas soavam; eram as respostas chegando. Olhinhos brilhantes, sorrisos de Mona Lisa e alguns ‘filho da puta!’ pululavam entre as reações.

Eu mesma odeio telefonemas ébrios no meio da madrugada e caras semi-desconhecidos que repentinamente descobrem que não podem mais viver sem mim – para no dia seguinte se arrependerem de tudo aquilo que vagamente se lembram. Ou que os amigos lembram a eles e de solitário só lhes sobra o arrependimento mesmo.

Pior que esse tipo de comportamento pode trazer conseqüências perigosas. Certa vez estava tendo um rolo com um cara que namorava. A coisa ia super bem só por mensagem de celular, tudo combinadinho, nenhum passo em falso, sensacional. Até o precioso dia em que a infeliz da garota resolveu fuçar no celular do rapaz enquanto o malandro dormia. E vocês sabem: quem procura, acha. Esperto, ele geralmente apagava todas as mensagens assim que as recebia, mas nesse dia tinha sobrado uma. Nada muito comprometedor, mas gerou uma discussão monstra entre eles e uma desconfiança hard a partir de então. Tivemos que tomar muito mais cuidado e isso aumentou consideravelmente a tensão dos encontros. E, portanto, se tornaram cada vez melhores, como podem imaginar

Tem ainda aqueles ignorantes que resolvem ligar no meio do show pra tu curtir a ’sonzeira animal, velho!’ Porra, a merda do celular não tem sistema surround, estrupício, não tem MANEIRA DECENTE de que o seu interlocutor aproveite as incríveis qualidades sonoras do lugar onde você está. Para ele só vai restar a gritaria e o barulho ensurdecedores.

Eu poderia ficar mais uns 15 parágrafos maledizendo 90% dos usuários de celulares; dá para lembrar de dezenas de qualidades inconvenientes que somos obrigados a suportar pelo bem da diplomacia e amizade. Tipo a minha mãe, que não saca que algumas ligações são apenas para dar um recadinho rápido e fica de papo furado estendendo a conversa por intermináveis e caros minutos. Ou um amigo que acha que celular é como MSN e gosta de detalhes e minúcias de assuntos em torpedos.

Essas são as merdas do celular. Devia ser obrigatório apresentar teste psicotécnico para comprar o aparelho. E fazer um teste do bafômetro antes de usar.

E se você curtiu este texto, tem este aqui da Senhorita Rosa que está ainda mais sensacional.

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12 Comments on “Celular movido a álcool”

  1. Bruno Says:

    Já vi uma matéria sobre um celular que não funcionava se o dono estivesse bêbado.

    Evitaria muito, mas muito arrependimento.

  2. Dona M. Says:

    Mas houveram muitos arrependimentos dessa vez? =P

  3. Edu Says:

    Vou montar um curso de auto-ajuda: Aprenda a utilizar o celular ao seu favor.

    Será que ficarei milhonário?

  4. mariah Says:

    torna-se mais perigoso ainda, considerando-se o fato de você (com nível etílico alterado) não precisar nem lembrar o nome do fulano(s)…basta lembrar o nome, na verdade, basta lembrar a primeira letra e normalmente a agenda se encarrega do resto…o botãozinho verde…grandão sempre para facilitar, acionado irresponsavelmente, pode abrir as portas do céu…ou do inferno em poucos segundos….eta bichinho perigoso. mas graças a deus, logo depois inventaram o “identificador de chamadas” e as coisas tomaram um rumo…relativamente…seguro.

    beijos
    mariah

  5. Edu Says:

    Olha, posso dizer que esse negócio de mensagens femininas bebadas me renderam bons momentos! ahahahahahahaha

  6. Fernando Says:

    aheuhaueh que merda…

    mas nem venha rachel. tem umas menininhas que ainda caem no conto do amor eterno as 3 da madrugada. e tem de monte…

    eu parei com isso, depois que tinha terminado (”definitvamente desta vez, não aguento mais olhar pra sua cara”) um namoro, resolvi ligar umas 3 semanas depois, numa 4a feira as 3 da madruga, esperando que aquela que eu “não aguentava mais” iria me receber de braços (braços!?) abertos aquela hora.

    liguei no celular e nada. liguei de novo e nada. como ela morava sozinha, liguei direto no fixo. eis que atendem o telefone… e era um homem!

    não respondi nada, desliguei o celular e aprendi umas coisas importantes pro resto da vida: a fila anda pra todo mundo, e celular definitivamente não serve pra ligar de madrugada.


  7. Hahaha, totalmente apoiada. Tem horas que a gente devia ser interditada.

    Bezzos, querida!

  8. Jayme Says:

    Oi Rachel,
    Eu costumava falar com os amigos que beber me dava um duplo prejuízo , o gasto com a “marvada” e o com a conta do celular , já que eu ligava intermináveis minutos …, parece que estou me vendo ligando para os coitados dos amigos que não iam para a balada junto … Beijos

  9. Gui Says:

    Rachel!
    ótimo esse teu post
    até pq eu odeio celular, só tenho pq é necessário mesmo :/
    beijo

  10. Dyego Says:

    Olá Rachel…
    Seus textos são muito bons… E seu perfil, considerando seus textos, é do tipo de mulher que ao mesmo tempo afasta qualquer homem pela “malandragem” da vida, aproxima por ser instigante…
    Suas postagens deveriam ser mais assíduas… Bom Blog!!
    Se me permite, Beijos!

  11. cardoso Says:

    Eu pagaria uma fortuna por um celular com bafômetro que acima de 4 caipirinhas só aceitasse ligação para o táxi.


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