Vou ali e já volto: o segundo camping da minha vida, parte 1
Estrupícios do além, parem de resmungar que eu abandonei o blog. Depois de comentários cobrando atualização, e-mails ameaçadores e até estranhos telefonemas no meio da madrugada, eu fiquei com o cu na mão de medo fiquei com dó de vocês e eu volteeeeeeei, agora pra ficaaaar, porque aquiiiiii, aqui é o meu lugaaaaaar. E quando achava que ia ter que encher linguiça (agora sem trema) contando do jogo do Corinthians contra o Oeste (foi uma merda, eu tava lá), apareceu no horizonte uma viagem incrível que vai dar muito pano pra manga. Ou, como vocês preferem, muito post onde eu me estrepo e só me dou mal.
Sim, Brasil! Para total alegria de vocês, começa amanhã quatro dias de grande confusão mental e desconforto físico para mim. Isso porque a praia para onde vamos não tem praticamente nenhuma infra-estrutura. Por ‘nenhuma infra-estrutura’ entenda que comodidades habituais como banho quente e luz elétrica já não me pertencem mais, assim como telhado, cama macia e tv. Sinal de celular e internet, então, serão modernidades de um futuro distante.
Gente. Onde é que eu tô me enfiando?
Meu terror vem da minha única experiência como acampante, que rolou lá no triássico, mais ou menos em 2003. Eu tava no terceiro ano da faculdade, solteira havia pouco e doidinha para me enturmar. Quando soube que os Jogos da Biologia daquele ano seriam numa universidade desconhecida no Rio de Janeiro e que teríamos que acampar, eu achei ótimo. Sério. Nem me abalei. Peguei uma barraca gigante emprestada com um tio, um saco de dormir, edredon, mala de rodinhas, secador de cabelo, roupas lindas de balada, sandálias de salto, maquiagem e fui. Feliz.
Mal sabia eu que o camping era um lugar tipo sem eletricidade MESMO. Que não haveria tomada para ligar meu precioso secador de cabelo. E que as sandálias de salto serviriam para o banho, para manter meus pés acima do lamaçal que virava o banheiro. Banheiro com bicas de água gelada, diga-se de passagem. Um horror completo. As cenas dos tufos de cabelos alheios boiando naquela água sem cor vão me perseguir em pesadelos para o resto da vida.
Mas não só o banho era uma sucursal do inferno; dormir também era tarefa árdua. A área das barracas era num terreno descampado em desnível. Assim, mesmo dormindo com a cabeça no lado mais alto, durante a madrugada o corpo ia escorregando e acordávamos num bolo no lado mais baixo, misturados com as tralhas todas.
E, para piorar, o calor insuportável que transformou a barraca numa sauna no primeiro dia se converteu em tempestade de verão no segundo. Tudo ok, já que a barrraca tem uma capa impermeável que a protege. Só que esse impermeável não tem o tamanho necessário para cobrir toda a barraca e sempre deixava uma faixa de uns oito centímetros sem proteção. E daí tudo o que estava do lado de dentro da barraca encostado nessa faixa molhou. Aliás, encharcou. Na lista entram as toalhas de banho, um edredon e quase todas as nossas roupas.
Acho que não preciso dizer que foram cinco dias de condições impróprias de sobrevivência e que depois dessa primeira tentativa eu NUNCA mais acampei. Nem pensei na hipótese. Nem que tivessem me pagado uma bela grana. É muito desconforto, muita trabalheira, muita merda que pode acontecer e você não ter como contornar.
Além disso, eu sou uma pessoa da civilização. Eu gosto de banho quente, cama macia, televisão com montes de canais e ar condicionado – ou, vá lá, um ventiladorzinho que seja. Gosto de sinal de celular, gosto de internet; mesmo que não vá usar, é reconfortante saber que, se precisar consultar o Oráculo Google para o que quer que seja, ele vai estar lá, online, à distância de uns poucos cliques.
E agora, camping again. Sem eletricidade, sem telefone, sem nada de nada. Só muito sol, muito céu, mar e cachoeiras incríveis. Areia branca, conchinhas, peixe e camarão. Amigos, música, risadas e palmas para o pôr-do-sol.
É. Talvez não seja tão ruim.

Fevereiro 4, 2009 at 4:27 pm
Mto bom!
Eu adoro acampar.. Nao ligo mto para as dificuldades, Quanto mais perrengue, mais divertido!
hehehehe
Boa sorte!
Bjs
Fevereiro 4, 2009 at 4:36 pm
Acampar no final das contas sempre acaba sendo divertido. Tá certo que algumas condições q mostrou no post são bem chatas mesmo, mas hoje tem camping com banho quente pelo menos…rs. Já ajuda em algo.
Fevereiro 4, 2009 at 4:59 pm
Minha primeira experiência com camping, foi foda também mas não traumatizou não, eu tive que ficar cinco dias em uma barraca que mais parecia uma Toca do Gugu com um amigo, não parava de chover, e dentro da barraca tinha mais água do que fora, no quinto dia quando encontrei minha toalha tinha um verdadeiro ecossistema, de formigas a caramujos morando naquilo que ja tinha deixado de ser minha toalha, eu tinha mais ou menos uns 17 anos e foi após essa viagem que eu começei a beber pra valer mesmo, em condições tão animadoras só indo dormir muito louco pra conseguir repousar o corpo em um colchonete mais alagado que o pantanal…
Fevereiro 4, 2009 at 5:07 pm
Olha eu tbm nunca tive muita sorte com acampamentoo.. sempre durmo poucoo, morro de calor, e saiu cheia de picadas de insetos gigantes … acampar pra mim é um pesadelooo por isso so acampei umas 3 vezes na minha vida.. e si hj em dia mi chamarem vou pensar 400 milhoes de veses antes de falar sim…
Fevereiro 4, 2009 at 8:16 pm
Mas para onde vc vai??? Lugar assim só ouvi falar na Ilha do Cardoso…rsrs
Fevereiro 4, 2009 at 11:37 pm
Acho que se for com o namorado hein, melhora…
Fevereiro 4, 2009 at 11:41 pm
Será que você fica chateada se eu sugerir que esse novo camping não deve ser muito diferente da sua primeira experiência? Hahaha. Acampar é isso aí mesmo… se enfiar no meio do nada e passar sufoco. Mas espero que você consiga aproveitar melhor essa nova viagem. Só tem que entrar no clima da parada que dá tudo certo (ou quase tudo). ;)
Fevereiro 4, 2009 at 11:47 pm
O que um namoradinho não faz, hein dona estrupícia?
Fevereiro 5, 2009 at 1:05 am
Acampar é foda! Literalmente FODA…ahuahuahau.
PQP, a parte dos pentelhos/cabelos boiando que vc comentou, é nojento.
No último acampamento que fui, estava eu dando a Sra mijada antes de cair no colchonete, qnd derepente olho pra trás e tem uma PUT* aranha na parede a menos de 2 metros…pela primeira vez, fui obrigado a fugir de uma aranha….kkkkk.
Bom, boa sorte pra ti….vais precisar :)
Fevereiro 5, 2009 at 11:20 am
não vi na sua lista o filtro solar fator 120.
não vou nem levantar teses e hipóteses, do que aconteceria com você e com os índi… errr acampantes todos, se alguém esquecesse tão precioso e necessário ‘gadget’.
Fevereiro 5, 2009 at 12:37 pm
Ah.. eu sou adepta da filosofia que diz que as dificuldades são histórias pra contar em um futuro post.. huahua
Adoro acampar.. com toda e nenhuma adversidade… da última uma árvore quase caiu na nossa barraca.. e choveu um dia inteiro.. a gente passou 5 horas dentro da barraca por culpa de uma chuva do inferno e insitente… mas olha ai… quanta coisa pra contar..HUHAUHA
As companhias valem mto a pena.. huhaua…
vale até acampar na garagem de um amigo quando se está bem acompanhado…
Boa sorte… estou torcendo para a sua barraca não demontar no meio da noite e não chover dentro dela, ou para o vento não levar… huahua
beijos
Fevereiro 5, 2009 at 7:30 pm
namoro muda a vida, né?
Fevereiro 6, 2009 at 12:58 am
vamos ficar esperando as coisaas erradas….rsss
Fevereiro 6, 2009 at 7:29 pm
Vai pra pouso de Cajaíba? A sua experiência de 1º camping é igual à minha. Passei 5 dias numa barraca alagada. Assim, um luxo.
Fevereiro 9, 2009 at 1:35 pm
E você nem comentou dos mosquitos MONSTROS que carregam a gente enquanto dormimos…
Fevereiro 10, 2009 at 11:45 am
Experiência melhor não há. Além de diversão é uma excelente oportunidade para aprender com a natureza e respeitá-la. Sem falar no custo.
Prefiro acampar, sempre… Gostei do seu relato. Num tem nada de errado aí, foi show… Com direito a desnível de terreno (esses são barra… kkkkk)
Acampar é duka…!
Fevereiro 10, 2009 at 6:28 pm
Uai… Melhor que acampar é fazer churras com os amigos na beira da praia, com um sol de rachar o quengo, calango andando de botas, picanha mal-passada e uma cerveja estupidamente gelada. Acampar é muito bom… cri, cri, cri, cri, cri, cri…
Fevereiro 11, 2009 at 1:59 am
hahaha uma das ultimas vezes que acampei, com um grupo porem sozinha na barraca, choveu de madrugada e eu acordei com o pé molhado só por que a cobertura ficou encostada na parte interna da barraca…
Eu adoro acampar, vc devia experimentar a ilha grande em Angra aqui no rio, é maravilhosa!!!!
boa viagem!!!
Fevereiro 11, 2009 at 4:27 pm
saudade do brógue racHell
Fevereiro 11, 2009 at 11:08 pm
Está indo para Ilha Grande?
Fevereiro 12, 2009 at 10:29 pm
Morreu no camping que nao voltou mais para atualizar o site????
heheheheheh
Fevereiro 14, 2009 at 1:59 am
não era o luxo do gaúcho.
mas nem vem: a cama até que era macia.
pelo menos a minha.
Fevereiro 16, 2009 at 2:38 pm
Caraca!!!
Deve ter perdido o namorado no meio do mato, e ficou pra tentar resgatar o cara.
Fevereiro 17, 2009 at 12:12 am
[...] Eu gosto de uma coisa errada Conversa fiada, besteiras e muita coisa errada « Vou ali e já volto: o segundo camping da minha vida, parte 1 [...]