A crise dos 26 anos e 8 meses
Estou em crise. Pode ser só uma neurose boba, apesar de estranhamente duradoura, causada pela TPM. Ou uma certa nostalgia em decorrência dos quatro meses que faltam para o meu 27° anivesário. Ou aquela democrática agonia que todos experimentam quando arrancamos fora a folhinha de outubro e percebemos no calendário o final do ano.
Ou pode ser porque eu me casei.
Pois é, casei-me. Estranho, não? Também acho. E às vezes me flagro olhando a aliança e tentando entender o que diabos aconteceu. Afinal, há menos de um ano eu estava aqui, reclamando da árida situação de Atacama na qual me encontrava. E agora estou ali, com a barriga encostada na pia lavando uma pilha aparentemente infinita de louça. Enquanto o Excelentíssimo Senhor Meu Marido, doravante chamado apenas de ESMM e também conhecido por Estrupício Mor, joga videogame no quarto.
Como vocês estão percebendo, este é um post cheio de situações surpreendentes. Porque se há um ano alguém me contasse que hoje eu estaria me dividindo entre as funções de Dona de Casa Júnior, Diretora de Maternidade do Bacon e Presidente Vitalício e único membro da Associação de Esposas do Estrupício Mor, eu GARGALHARIA na cara da pessoa. E depois a xingaria com os mais cabeludos palavrões, claro.
São acontecimentos com esses que me levam a crer que a vida é um grande e inescapável clichê. Ou que o destino, como alardeiam os tarólogos e astrólogos canastrões do mundo, existe sim e taí para todo mundo ver.
Tenho a sensação de que me perdi de quem era, como duas pessoas que se desencontram num aeroporto lotado e acabam tomando vôos para cidades diferentes, como Tóquio e Istambul. Pior: nessa confusão toda, a companhia aérea perdeu minha bagagem com os pertences de uma vida: um desprendimento livre para pensar, fazer e falar; uma difícil e dolorida independência; e a coragem, que sempre me foi tão cara.
Acho que ainda não encontrei o equilíbrio de ser esposa e, ao mesmo tempo, pessoa. O primeiro está apagando, mesmo que levemente, o segundo.
Agora preciso ir. Tenho que descobrir se estou em Tóquio ou Istambul. E recuperar a bendita bagagem.
Tags: crise, crise existencial, neura
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Novembro 6, 2009 at 11:38 pm
Eu te entendo… A vida é tão surpreendente q a gente geralmente fica perdido qdo alguma coisa tão grande muda… Eu, agora como ex namorado e pessoa solteira, to passando mala bocados pra alguentar o tranco de levar uma nova vida normal… É assustador, eu sei.
Mas você é você. Vai se dar bem.
Boa sorte Rach o//
Novembro 6, 2009 at 11:42 pm
muito bom texto, raquel! bem escrito e sensível. parabéns!
Novembro 7, 2009 at 3:58 am
Fofa, tenho que te dizer que estou AMANDO os 27. Seja bem-vinda a eles. Beijos saudosos.
Novembro 8, 2009 at 12:46 am
A vida é sempre surpreendente. E muitas vezes, é justamente essa a grande graça! Espero que você “se encontre” novamente, e apenas seja feliz, que é o que todos nós merecemos! :)
Novembro 8, 2009 at 10:20 am
Ah eu te entendo, por vários motivos, primeiro:
Completo 27 anos daqui a três meses, comecei a neura, sim…, a diferença é que me casei aos 22 em longos 4 anos não conseguia me encontrar, uma loucura, e finalmente me encontrei há 5 meses…o que eu fiz? fui ao extremo, me separei, dureza, mas ai me encontrei.
Torço pra que vc se encontre sem precisar chegar aos extremos como eu, e tomara que seja só a adaptação, ou como disse uma simples TPM…
Gostei daqui…
beijos!
Novembro 8, 2009 at 2:01 pm
Oi Rach… acompanho seu blog a algum tempo, mas nunca me senti tão impelida a lhe deixar um comentário (vergonhoso, eu sei…) quanto hoje… Acho que deveria apenas ter certeza se vc está do lado dos felizes ou dos que ainda buscam isso. Sucesso sempre….;)
Novembro 9, 2009 at 11:37 pm
Nooossaaa!!! Quase me vi em vc agora hehehe
apesar de q eu me dividi em uns trÊs países, já faz uns 3 meses e eu ainda não me achei Oo
:*
Novembro 10, 2009 at 12:28 pm
Nós humanos, especialmente nós mulheres, somos tantas em uma, fica um pouco difícil não se perder dessa galera toda que somos…
O texto ficou lindo, um love só.
Vi no Saia Justa da semana passada uma recomendação da Márcia Tibure é um livro chamado “Quem pensas tu que eu sou?” de Abrão Slavutzky. Eu já reservei pq aqui em Brasília é foda não tem nada, mas aí em Sampa deve ser mais fácil de achar… Bom fica a dica, acho que é uma boa para esses momentos de filosofia…
Beijo, vc é ótima!
Novembro 10, 2009 at 1:13 pm
ainn que lindo, olha daqui a pouco você vai ver que só tá se sentindo um pouquinho perdida, mais pra frente quando vier filhos e afins você irá perceber que está totalmente perdida…
http://maribremecker.wordpress.com/
Novembro 10, 2009 at 2:31 pm
Rach, vc é uma mulher incrível! Entrei no teu orkut, vi as fotos do teu casamento, achei o máximo!
Vcs se amam, isso é fundamental!
Vc pode estar perdida (todos estamos), mas pelo menos, está feliz! =)
Novembro 11, 2009 at 6:45 pm
totalmente excelente! parabéns pelo casório.
o bacana dos blogs é ver a evolução das pessoas… o seu caso é notório.
beijo!
PS: vc vai ver o que é crise quando chegar nos 30.
Novembro 12, 2009 at 1:36 pm
Estou nessa mesma situação,so não sei o q faço”ainda”.Bem mas o motivo de vir foi outro,deixa eu explicar:tenho em meu blog um quadro todas as quinta-feira q se chama as 29+…é uma entrevista irreverente onde nós blogueiras conhcemos melhor outras blogueiras,o convite está em aberto,ficarei feliz caso aceite.Bjos!
Novembro 12, 2009 at 8:45 pm
Sei exatamente como se sente. Mas não vou fazer 27 primaveras. Porém acabo de sair de um longo relacionamento, e tenho que reencontrar as pessoas perdidas e as bagagens de ambas.
Acredito que uma hora elas acabaram se encontrando.
Boa Sorte!
Novembro 13, 2009 at 11:56 am
Nossa… adorei o post… fiz 27 há um mês e apesar de não estar casada… sinto que perdi as bagagens há anos, kkkk
Novembro 16, 2009 at 7:39 pm
C casou?
Novembro 17, 2009 at 5:29 pm
Oi!
Gostei daqui. Vou voltar.
Passa lá também revisoradoprazer.blogspot.com
Novembro 18, 2009 at 3:47 pm
puxa também me faltam 4 meses pros 27! moro a alguns meses com o namorido, ainda não me vejo nessa situação e me policio sempre pra não cair na rotina… espero saber lidar com os clichês =0)
Novembro 22, 2009 at 5:44 pm
Raquel
Parabéns! Finalmente alguém conseguiu definir como eu me sinto. Estou casada há mais de 11 anos e não entendia o que havia ocorrido comigo desde àquela data. Ufa, até que enfim já sei! Agora preciso descobrir quais são os países e, principalmente, localizar a minha bagagem em algum lugar do passado.
Beijos.
Novembro 22, 2009 at 11:24 pm
Oi Linda, palavras sábias, e não estão perdidas, são fases da vida, isto é apenas adaptação. Tudo muda, tudo sempre mudará. Vc está melhor como pessoa hoje ou há um ano atrás?